O fim se aproxima e a tarde se põe estirada demais, deixando à lua e as estrelas iluminarem o céu repentinamente, mais cedo do que o imaginado. O outono quando sinaliza a sua partida faz tudo pra ficar diferente, pois, esta é a sua maior especialidade, os dias permanecem cada vez mais frios e longos, uma quietude saciável paira no ar submetendo-me a reviver uma melancolia que do nada arranca sorrisos largos e um brilho intenso no olhar, a mansidão desejada enfim chegou em mim, aquela saudade com efeito especial que nos permite em uma pequena distração, derramar lágrimas quentes de felicidade ao sentir que ainda está aqui.
O silêncio compõe à melodia do meu passado...prisioneira me tornei das lembranças doces, sutis e um toque de leveza no coração, pego um papel em branco, algumas canetas coloridas e começo a desenhar seu nome junto à alegria sentida ao descobrir que perdura nas mais belas recordações existentes. A suavidade transborda nas linhas afetuosas, as palavras desliza-se carinhosamente, sem medo de serem expostas nestas páginas amorosas de cada dia, e você? Em todas elas estás, bem oculto para ninguém te descobrir.
A alma em seu remanso lindo transmite a paz tão esperada, elevando meu ser à uma calmaria bem profunda repleta de saudade, que vem causando suspiros esperançosos, porém sem criar falsas expectativas pra não machucar e nem ferir. Necessito da serenidade que reportam-me as melhores lembranças: o teu sorriso que ilumina, o teu olhar carinhoso, o seu abraço forte e aconchegante, a sua que suaviza meu coração, permitindo o contentamento regressar outra vez para mim.
Ah...Outono, viu o que fazes comigo? A sua partida autoriza-me à estar submissa a todos os momentos, principalmente quando se trata de rememorar o passado que todavia estas bem vivo no meu presente/futuro.
Pilar Mariosa Bastos

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